Foto por: Max Carlos

Conhecida por seus grupos folclóricos e prédios históricos do século XVII, Laranjeiras, cidade situada a poucos 22,5km de Aracaju, é um convite ao passeio no tempo e resguarda parte da época colonial açucareira de Sergipe. Considerada Berço da Cultura Popular, intitulada de Atenas Sergipana por suas colinas com pitorescas igrejas ao topo, cidade dos terreiros de candomblé, da firmação dos jesuítas em Sergipe e área de pesquisas de cavernas, o município documenta tradições seculares, que se evidenciam na comunidade negra local e nos seus museus. A dica é andar devagar pelas ruas em calçamento pé de moleque feito pelos escravos em pedra calcária.

O que espera o turista é só emoção. Com uma população de 26.902 hab (Censo IBGE 2020), localizada no Vale do Cotinguiba, Laranjeiras remonta ao tempo do Império, quando foi a maior e mais importante cidade de Sergipe, centro do comércio do açúcar, famosa pela vida sociocultural, polo irradiador de lutas pela abolição e pela República.

Esta Cidade-Monumento, Patrimônio Histórico Nacional, situa-se às margens do rio Cotinguiba e sua ocupação populacional inicia-se no século XVI. Já no século XVII os jesuítas construíram residências e igrejas, que se tornaram belas e adornadas no século XVIII, quando o plantio da cana se espalhou por todo o Vale do Cotinguiba. A povoação crescia, mas só no século XIX, em 1832, Laranjeiras separou-se de Nossa Senhora do Socorro, tornando-se vila, para ser elevada à cidade, em 1848. Por sua importância, foi um dos pontos visitados em 1860 pelo imperador, D. Pedro II e pela imperatriz, D. Tereza Cristina.

As numerosas igrejas católicas e os terreiros de culto afro falam de uma religiosidade forte, e de um sincretismo muito vivo, mantido nas festas atuais quando os cortejos de grupos folclóricos e de folguedos populares enfeitam, animam e tornam encantadoras as procissões e missas.

O município tem hoje no cotidiano a conciliação do tradicional e antigo com o novo e moderno. Essa máxima é a marca de Laranjeiras, que preserva o passado e busca nele a inspiração para renovar-se e articular novos caminhos para seu desenvolvimento.


São Gonçalo - Foto por: Enaldo Valadares

Cacumbi do Mestre Deca

Foto por: Adilson Andrade

Grupo Folclórico de forte influência africana, vinda dos congos e congados mantém uma coreografia viva e cadenciada, embora tenha perdido o aspecto dramático que o caracterizava. Formado por homens – e chefiado em Laranjeiras por mestre Deca.

Chegança

Foto por: Neu Fontes

Vinda das antigas tradições ibéricas, narra as lutas marítimas entre cristãos e mouros, com embaixadas e combates. A Chegança Almirante Tamandaré é a mais famosa de Laranjeiras.

São Gonçalo

Foto por: Enaldo Valadares

Grupo Folclórico originário do Quilombola Mussuca e dedicado a São Gonçalo do Amarantes, é formado só por homens e traz nos cantos e danças uma presença africana forte. A imagem do santo é levada em um pequeno barco pela única mulher do grupo: a Mariposa.

Guerreiros

Foto por: Neu Fontes

Derivado do Reisado, apresenta alguns elementos daquele folguedo, como a Rainha, o Mestre, a formação em dois cordões, etc. Representa o amor de um índio por uma rainha, simbolizando elementos como o combate e a luta pelo amor à Rainha.

Lambe-Sujos X Caboclinhos

Foto por: Marx Dantas

A apresentação deste folguedo já é considerada a maior peça teatral ao ar livre do mundo, e ocorre sempre no segundo fim de semana do mês de outubro. O folguedo é um dos mais autênticos do folclore sergipano e se apresenta com dois grupos formados pelos negros e pelos caboclinhos. Os negros roubam a rainha dos caboclinhos, provocando a luta entre os dois. As cidades de Laranjeiras e Itaporanga D’ Ajuda mantêm a tradição dos grupos, com suas embaixadas, combates e lutas finais, quando os caboclinhos vencem os Lambe – Sujos, escravizando-os. São chamados de Lambe-Sujo por seus integrantes se pintarem (todo o corpo) com melaço de cabal ou tinta xadrez preta, já os índios Caboclinhos pintam-se com xadrez pulf misturado com óleo.

Penitentes

Foto por: PML

No período da Quaresma, os penitentes partem dos cemitérios da cidade em um ritual que roga pelas almas sofredoras. Finda na sexta-feira da paixão, quando se penitenciam aos pés do Senhor Morto.

Reisado

Foto por: Adilson Andrade

Grupo Folclórico do ciclo natalino, com nítida presença portuguesa, louva o nascimento de Jesus com seus benditos, loas e “abrições de porta”. Apresenta-se em dois cordões, comandados pelo Mateus e D. Deusa. Encontrado em quase todas as cidades sergipanas. O mais famoso de Laranjeiras era o Reisado de Lalinha.

 

Taieiras

Foto por: Neu Fontes

De clara influência africana no ritmo, nos cantos e nos louvores a N. Sra. Do Rosário e São Benedito – este grupo folclórico, além das apresentações de Festa dos Santos Reis, cumpre ritual de coroação das Rainhas Perpétuas, na Igreja de São Benedito, em Laranjeiras.